sábado, julho 03, 2010

Poeta


Poeta é aquele que escreve apaixonado
E não deixa que a razão embote o coração.

A moça Molhada


Lá vai a ensandecida
correndo nua na rua da solidão.
e ensopada de sopa feita na cama
carrega uma calcinha na mão.

O penduricalho rijo, rosado, difuso...
Os braços abertos levantam o peito,
sacodem os seios, botões eriçados.
Pelos escuros embaixo,
claros no resto do corpo.
Podem-se vê-los arrepiados de frio,
calafrio, tudo de pé.

Cabelos longos castanhos claros
ondulam-se como o mar sereno.
A barriga é um tanque raso, soft...
O umbigo um ralo vulcanizado.

Tudo está nu.
Até os pés que descalços estão
mostram a mais bela sensualidade ao tocar o chão
gélido e duro.

As narinas dilatadas
buscam sugar o ar com urgência.
Os olhos aboticados
caçam qualquer sinal de salvação

As nádegas compridas
desvelam agora músculos tensos pelo terror.
A boca uma caverna
ora escura, ora rosada,
ora sedenta, ora molhada,
por onde passam os ecos do desespero.

Pobre moça caiu de joelhos no chão,
une as mãos ao ventre
Agora encurvada, de cabeça baixa
soluça e treme.
Os calcanhares perfuramos glúteos
e ali fica minutos...

A tempestade vai passando
O corpo se ergue
e agora dança na andança
e segue molhada na chuva que cai

Anda serena de olhos fixos ao longe
entra em casa
deita na cama
E agora dorme em paz.

terça-feira, junho 29, 2010

Vulcão da vida


Existe uma tormenta que vem quem nem tsunami
Ela vem num turbilhão roendo tudo, esmagando, trucidando
Arrancando as raízes mais profundas       
Não há melhor remédio senão não resistir
Não há melhor atitude que não rejeitar a dor
A transcendência somente acontece depois que se deixa o curso das coisas irem
Só há decida após o cume da grande subida   
O círculo só se completa no limite entre o começo e o fim.
E aí sim o grande alívio, a plenitude, a totalidade, tudo é sereno, tudo é paz,
Uma entorpecência natural do ser.
Louvada seja toda a existência.

terça-feira, março 16, 2010

dor


Dor é uma essência que me exala agora
Uma sombra que me rodeia
Um gás que respiro
Um purgante que degusto


A dor que paira e para e zomba
É uma coisa que me maltrata
Me mata e desmata
Me faz tremer, me sacoleja
Me deixa embriagado
Será a dor uma contramão da vida?
Um alarme de que? De que se vai mais sofrer?
Que vivência e tanto!

sexta-feira, março 12, 2010

Memórias do Café Nice

Memórias Do Café Nice
(monalisa/Artúlio Reis)

Ai que saudade me dá
Ai que saudade me dá
Do bate-bapo do disse me disse
lá no café nice ai, que saudade me dá

Ai que saudade me dá
Do bate-bapo do disse me disse
lá no café nice ai, que saudade me dá

De Cadilac chegava o Chico Alves
Logo no samba queria entrar
O Ismael só na de pão com manteiga,
esquecia a nega, pra poder ficar

E eu no samba, varava a madrugada
O café Nice era um pedaço do céu
Num canto batucava João de Barro,
Lamartini, Pixinguinha, Almirante e Noel

...mostrava a carne e o que é que a baiana tem
Ari Barroso no piano, reclamava
que Donga fez um samba que nao é de ninguém
E o Metralha varava a madrugada,

o Café Nice amanhecia em festa
Cartola afinava a viola
que pena que agora a saudade é o que resta

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Caminhos da vida




Vitalidade: ímpeto vital, movimento, impulso, alegria de viver, libertar-se, voar.
Sexualidade: pro-criar-se, prazer, deleite, Imersão dionisíaca.
Criatividade: exploração, criação, expressão, re-criação, busca, descobertas.
Afetividade: União, contato, relação, amor.
Transcendência: Transposição do ego, fusão com o outro, o ambiente, religar-se à totalidade.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Viver plenamente


 

Como falar da compreensão que venho formando da vida? Posso então dizer que sou um existencialista? Ainda existe isso? Ou o que penso não se enquadra dentro desta definição?

Como caminhamos com as nossas dores! Respiramos os nossos medos, mas também os nossos desejos, prazeres. Na verdade penso que não há nada de errado como os nossos prazeres, mas o que nos faz sofrer é o apego a eles. Não há nada de errado com os nossos medos, mas o envolvimento e o cabimento que damos a eles. Não há nada de errado com as nossas dores, mas a não aceitação, a inquietude, a lástima por senti-la. Durante a vida vamos fazendo e criando as nossas concepções sobre tudo o que passamos. Estamos sempre julgando, valorizando (imprimindo um valor) às coisas. Neste processo formamos aquilo que é bom ou ruim para nós e percebam que tudo isso vem com cargas de emoções e sentimentos que variam de intensidade, forma e qualidade. Há muito de real valor que pode nos trazer uma plenitude e felicidade. E estas coisas são coisas pelas quais procuramos, mas não percebemos que são por elas que a busca é feita. Desviamos o foco do nosso objetivo para coisas que inicialmente seriam simplesmente o meio para atingi-las. Assim se verdadeiramente buscamos estar bem com as pessoas que nos rodeiam, amá-las e ser amado, respeitá-las e ser reconhecido, ao invés disso nos perdemos em desejar e buscar um artifício que inicialmente seria um meio para atingir este objetivo. Por exemplo: às vezes trabalhamos tanto que comprometemos a nossa saúde, o nosso bem estar com a família, etc. O trabalho é o meio e não o fim, mas muitos de nós estamos fazendo o contrário. Assim acontece com outras questões de nossas vidas. O belo é uma forma de buscar mais qualidade às nossas vidas, seria um meio se não transformássemos isso num fim, quando neuroticamente sofremos para manter um corpo magro. Certamente que vivemos de forma tão complexa que o nosso cérebro aprendeu a julgar algumas situações devidas e desenvolver uma forma de reagir a estes momentos de forma automática. Desta forma vivemos demais ligados no que eu metaforicamente chamaria de "piloto automático". Este piloto automático que inicialmente seria uma forma de facilitar a vida vem nos escravizando, nos tornando zumbis, e vivemos anestesiados pelos ciclos viciosos dos comportamentos reagentes. Vivemos então reagindo com automaticidade ao cotidiano. A pergunta é há possibilidade de vivermos plenamente a vida?


 


 


 

domingo, janeiro 03, 2010

Ano novo, vida nova.



Ano novo. Todas as situações são novas. Tudo pode parecer o mesmo, mas nada é igual. A vida segue o seu curso como um rio que não para. O mais interessante é como percebemos tudo isso. A minha visão da vida; A minha impressão da vida; A minha leitura; a imagem que faço deste mundo. Sei que esta percepção da vida tenta ser a mais fiel possível, mas a complexidade da realidade exige muito de um ser em fase de aprendizagem e por muitas vezes entendo que esta percepção não sai tão fiel e assim tenho uma tradução equivocada de algumas situações. Percebo esta possibilidade de falha mas alegro-me em compreender que desta forma e por isso mesmo sou livre. Livre para tomar as minhas decisões, livre para traçar o meu caminho, livre para seguir meu rumo. A problemática mais refletida na busca de seu entendimento pelo ser humano é a questão da felicidade e do sofrimento. Talvez eu discorra em outro blog sobre ela, mas gosto de sempre buscar a função das coisas nas nossas vidas. Toquei neste ponto porque nesta seqüência de um caminho percorrido deparo-me como momentos de felicidade e momentos de dor, sofrimento. E natural me parecer ser que nos momentos de felicidade eu os viva intensamente sem fazer questionamento algum, já que penso ser a felicidade o "default" da vida. Porém nos momentos de dor a tendência do ser é a negação desta. Ninguém quer sofrer, ninguém quer sentir dor, todos buscamos a felicidade e o prazer, não querendo aqui fazer parecer que uma é o oposto da outra. Vem-me então a busca do entendimento da dor e do sofrimento. Passo a refletir e me vem um pensamento, um questionamento: Porque buscamos fugir de algo que apenas reflete uma causa. Não seria esta dor simplesmente um sintoma de alguma coisa que não anda bem? Por exemplo: a dor de um ente que se foi. Há outra alternativa senão simplesmente vivenciá-la em toda a sua plenitude e intensidade? Não seria desta forma uma causa transcendente e necessária para se elaborar algo que se traduz pela perda, sentimento de falta, saudade? Mas são complexas demais as tão diversas causas pelas quais sofremos e cada uma delas poderemos buscar um entendimento de como a vida as leva. A nossa tão torpe percepção e leitura das situações podem causar este sofrimento então. Então é necessário que tomemos distâncias de nós mesmos, de nossos movimentos, para que possamos ver com mais amplitude as tramas pelas quais nos envolvemos. Muitas vezes, ingenuamente podemos estar causando o nosso próprio sentimento. Ora, Sérgio, agora você descobriu a roda: Não parece óbvio e já aceito que muitas vezes somos os causadores de nossa dor? Pode sim parecer óbvio, mas isso não é o que verdadeiramente entendemos emocionalmente. (depois continuo)

sábado, dezembro 19, 2009


Perceber é um momento fugaz. A compreensão da existência, da vida, passa rápido e logo posso ser sequestrado pela pílula que me leva ao mundo dos sonhos em Matrix. Um pensamento passa por mim rapidamente indagando: "O que posso fazer para fazer valer em um eterno segundo toda uma existência? Sinto necessidade de vivenciar este ritual". Outro pesamento me faz ver que se eu estivesse numa sessão de psicoterapia o meu imaginário terapeuta perguntaria algo como: "Porque você quer fazer valer essa existência?", ou coisa assim. Isso me irrita um pouco.
Como me vem por vezes essa grandeza da existência! Que posso fazer para reverenciar tudo isso? Outra indagação me vem agora: "Nossa vida mundana, instintiva, egóica tem alguma coisa a ver com este outro momento de lucidez?"

sexta-feira, julho 10, 2009

A essência da vida - Matrix


O que dizer de tamanho mistério? É verdade que temos controle da situação? Claro que não, mas também não estamos num barco à deriva, ou estamos??? Como somos algemados às correntes dos tempo, da rotina, do padrão. Mas também somos livres até mesmo para sermos presos. Uma verdade deve ser dita e refletida: é tão pouco o tempo em que nos conectamos com a essência da existência. Se o contrário fosse não daríamos trela a tanta banalidade. Quanto tempo perdemos no controle automático do dia-a-dia. Como somos consumidos por essa fera faminta que é a automaticidade programática padronizada de nossos pensamentos, ações e reações. Quer ver um dos momentos em que saímos rapidinho dessa dormência? Quando vamos a um velório. Aí sim, nos conectamos com o que pode ser essencial à vida. Jogamos todo o lixo fora e identificamos o que tem valor para a vida. Mas muitos fazem assim: enriquecem para sobreviver e viver além. Porém caem na armadilha e vivem para fazer dinheiro. Ficam sem tempo para nada, atém mesmo para usufruir do próprio dinheiro. Adoecem e morrem deixando tudo. Outros fazem um esforço tremendo para serem bem sucedidos e agem como se o mais importante fossem os meios e esquecem do fim. Vale o quanto pesa. O que estamos fazendo neste momento vale a pena para viver? è vida? beijos...

domingo, setembro 17, 2006

Biodança


Encontro Nordestino de Biodança realizados em Beberibe-CE nos dias 08, 09 e 10 de setembro de 2006 na praia de Morro Branco - Ocas do Índio.

quarta-feira, abril 26, 2006

A ansiedade é algo que me desgasta. Também há um lado positivo: sinto que estou vivo, entusiasmado e buscando sempre algo mais na vida. Afinal de contas essa é uma lei natural, estamos continuamente "lutando" para viver bem o presente, planejar o futuro e reverenciar e aprender com o passado. Porém há de se ter um cuidado: viver o momento presente, que aliás é um conselho de sábios, filósofos e cientistas há centenas de anos. Com o atropelo da vida moderna é comum esquecemos de viver o presente, ou seja de viver, pois o futuro torna-se um tirano. Respirar e desacelerar é a ordem. Perceber-se emocionalmente e organicamente para que possamos responder às nossas próprias necesidades. Afinal de contas de que adiantaria viver sem degustar da nossa própia comida? É aí onde surge o lado religioso do ser humano: contemplar à noite toda a sua obra e criação.

domingo, abril 23, 2006

Com os meus botões é uma tentativa de escrever do mais profundo do meu ser. Sem esperar ser lido, sem temer julgamentos... um diário experimental. Certamente quem quiser saber dos meus sentimentos privados correrá o risco de encontar aqui barbaridades. O que mais me fascina é a vida, o princípio de tudo. Já a existência é algo mais complexo. Existir é queimar como uma tocha ardentemente com toda a sua luz. Uma vez existido, existente para sempre. A existência é atemporal, portanto sua essência se distingue de tudo que se relaciona com o tempo cronológico.
Com os meus botões certamente fará críticas a situações do cotidiano, reflexões sobre momentos da vida, desabafos, cobras e lagartos.
Aos possíveis leitores faço uma adversão: Este blog poderá ser extremanete confuso e polêmico e causar dependencia.